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O lorde que gosta de lama
11.07.2008
O menor dos Range Rover em versão V8 a diesel.

O material de divulgação do Range Rover Sport mostra o jipão em ruas glamurosas, em frente à lojas de grife, limpo e aspirado. É tudo o que o carro que testamos não viu em 765 quilômetros, numa viagem de Niterói a Paraty com direito a trilhas pelo sopé da Serra da Bocaina.

Era nosso primeiro contato com o motor diesel V8 biturbo da marca. Giramos a chave com os vidros fechados. Algumas catucadas no acelerador e só ouvimos um ronronar abafado. Será que erraram e mandaram a versão gasolina? Para tirar a dúvida, abrimos a janela e, só então, fomos brindados com um som em marcha lenta, típico dos caminhões - o Range Rover fala grosso.

Na estrada, esse inglês é sereno como um lorde. A 110km/h, em sexta marcha, o motor gira a meros 1.900rpm. Não se ouve nada além do que sai dos alto-falantes. O computador de bordo registra 10,3 km/l de consumo, ótima marca para um utilitário de 2.455 quilos equipado com câmbio automático e cheio de luxos. Só lembrávamos que havia um motorzão sob o capô nas retomadas, hora em queas costas grudavam no encosto e o ronco invadia a cabine.

Ele é ágil e disfarça bem o tamanho: ao voltar para sua faixa, após uma ultrapassagem, o Range Rover não balança, mostrando ter melhores maneiras o que outros utilitários esportivos de grande porte.

Pesado sem ser bobo

Seguimos pelas curvas da Rio-Santos sempre no prumo, graças ao sistema pneumático que evita rolagem excessiva da carroceria. O detalhe vem como item de série. Pudera: um carro que custa a partir de R$ 329 mil, na versão TDV8, tem que fazer de um tudo.

Depois do asfalto, a terra. Em trechos onde um carro de passeio ficaria agarrado, o utilitário passou incólume. Por duas vezes usamos o sistema All Terrain Response, que oferece cinco modos de ajuste de tração e suspensã por meio de um botão giratório no console.

Após uma hora na trilha, o Range Rover parecia um folião do Bloco da lama de Paraty. Por dentro, porém, a casa continuava arrumada: não havia sequer poeira na soleira das portas. Não é a toa que os modelos da marca são os favoritos da rainha da Inglaterra.

A proposta do Range Rover Sport é ser um "jipão urbano", aproveitando o que estava à mão na fábrica. A plataforma é a mesma do valente Discovery 3, porém encurtada. Já o desenho e a suspensão pneumática são do Range Rover original, que é maior que o Sport, e vendido no Brasil apenas na versão Vogue, de R$ 380 mil.

A mistura não desanda. O Sport é confortável para cinco ocupantes e bem acabado como um sedã de luxo. O exemplar testado veio com toda forração em bege, incluindo os bancos de couro e os plásticos dos painéis das portas.

Há componentes aproveitados dos Ford: comandos dos faróis e dos retrovisores vieram do Fusion. Tomara que com a recente venda da Land Rover à indiana Tata não usem peças do popular Nano.

Range Rover Sport TDV8 SE

Preço: R$ 329 mil
Origem: Inglaterra
Motor: A diesel, V8, 32 válvulas, biturbo, 272cv de potência (a 4.000rpm) e 65,3kgfm de torque (a 2.000rpm)
Transmissão: Tração integral, câmbio automático de seis marchas
Pneus: 255/50 r19
Dimensões: Comprimento: 4,79m; entre-eixos: 2,74m; largura: 1,98
Peso: 2.455 quilos
Desempenho: De 0 a 100km/h em 9,2s; máxima de 209km/h
Consumo: 10,3km/l na estrada

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